Italian Stallion
Amanhã se encerra no Telecine a série Rocky Balboa. Cada dia dessa semana foi dedicado a um dos capítulos do lutador. Confesso, meio sem jeito, que assisti a todos de novo. Tudo bem, admito que os filmes não são 100% – oscilam muito na tabela de qualidade – mas é que o diabo do personagem tem carisma!
O 1, 2 e 3 são os mais bacanas. Gosto do Apollo e do treinador velhinho (da Adrian e do Paulie também - mas eles aparecem nos outros). O 4 é meio chato, mas “passa” se visto pela ótica da Guerra Fria - e ele tem a favor a participação do James Brown no ring cantando Living in America. O 5 é o pior. E o 6, bem, digamos que admiro Stallone ter encarado aparecer nas telas tão acabadão e com as sobrancelhas pintadas! E a história... é bacana, vai. Dá pra encarar.
Não tenho explicação racional ou uma desculpa razoável para ter perdido quase duas horas por dia na última semana contemplando o Rocky. Não posso nem dizer que gosto de boxe (muito menos da carnificina que acontece nos rings em todos os filmes da série)... Talvez seja pura nostalgia. Uma vontade de que os heróis dos filmes de hoje fossem menos perfeitinhos e geniais. Talvez seja a trilha! Talvez não seja nada disso. O fato é que assisti tudo de novo e, olha, mesmo sem entender por que fiz isso, não posso dizer que me arrependi!
Escrito por Liliana Negrello às 21h38
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"Top of the tops"
O Booker Prize, um dos prêmios literários mais importantes do mundo – para o qual só podem concorrer romances escritos em língua inglesa, por autores vivos, que sejam cidadãos da Grã Bretanha, Irlanda, Paquistão e África do Sul – está promovendo uma “lista das listas”. O objetivo é eleger a melhor entre todas as obras literárias já premiadas pelo Booker ao longo dos anos.
Um juri escolheu os seis livros finalistas, mas a decisão do vencedor será por voto do público:
1973: The Siege of Krishnapur (JG Farrell) / O cerco de Krishnapur
1988: Oscar and Lucinda (Peter Carey) / Oscar e Lucinda
1974: The Conservationist (Nadine Gordimer)
1995: The Gost Road (Pat Barker)
1981: Midnight's Children (Salman Rushdie) / Os filhos da meia-noite
1999: Disgrace (J.M.Coetzee) / Desonra
A lista poderia ser ainda melhor. Isso porque alguns grandes autores contemporâneos ganharam o Booker com livros menores. É o caso de Ian McEwan, cujo livro premiado foi Amsterdam, que não é nem de perto sua melhor obra. O jornal The Guardian aponta Salman Rushdie como favorito.
Para quem se interessar pelas obras, tenho certeza que pelo menos as de Rushdie, Coetzee, Carey e Farell (essa apenas em sebos) estão disponíveis em português. Barker e Gordimer também têm livros traduzidos, mas não encontrei em português os que estão concorrendo ao topo do Olimpo literário.
A matéria do The Guardian sobre o assunto traz mais informações e curiosidades: http://books.guardian.co.uk/news/articles/0,,2279400,00.html
Escrito por Liliana Negrello às 10h31
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Obra-prima!
Acabo de terminar um livro que deve entrar na lista de leituras obrigatórias de qualquer pessoa com um mínimo interesse no fenômeno que tomou de assalto o mundo moderno: o terrorismo.
“O Vulto das Torres – A Al-Qaeda e o caminho até o 11/9” é uma revelação. O autor, Lawrence Wright, entrevistou presencialmente mais de 500 pessoas, fez viagens ao Afeganistão, Arábia Saudita, Sudão – entre outros países que abrigaram células da Al-Qaeda – e pesquisou inúmeros documentos e entrevistas antes de encarar esse tema mais do que espinhoso. Um trabalho de investigação exaustiva que resultou numa obra poderosa.
Uma das qualidades do livro é mostrar a construção do pensamento radical islâmico do embrião egípcio da Al-Jihad até a Al-Qaeda e sua luta “sagrada” contra o Ocidente. Entre as “sacadas” de Wright no percurso, a humanização do mito Bin Laden me parece das melhores. Afinal, vale lembrar que apesar de ter se tornado a ponta mais aguda do “eixo do mal” no Ocidente, ali existe um homem, cheio de problemas, fracassos e, por que não, algumas virtudes humanas.
“Os filhos de Bin Laden não consideravam o pai tão devoto e intransigente como era visto pelo resto da comunidade. (...) Os filhos mais velhos de Bin Laden costumavam ficar com o pai por perto em Tora Bora. (...) Ao contrário das meninas, os meninos tinham a oportunidade de ir à escola, mas não faziam muito mais do que memorizar o Alcorão o dia inteiro. Bin Laden deixava os filhos menores jogarem videogame, por falta de outras distrações. (...) À tarde, os meninos costumavam jogar vôlei, e Osama às vezes entrava no jogo.” [O Vulto das Torres, Lawrence Wright, Companhia Das Letras, pp.282, tradução: Ivo Korytovski]
O livro aponta também pistas para entender o que leva jovens – normalmente bem educados, de boa família e com condição financeira estável – a aderirem ao fundamentalismo. A explicação vai de um simples problema de hormônios e falta de sentido na vida até a questão profunda (quase abissal) da identidade (ou falta dela).
“O que os recrutas tendiam a ter em comum – além da urbanidade, dos antecedentes cosmopolitas, da educação, do domínio de idiomas e da informática – era a sensação de deslocamento. (...) O paquistanês em Londres constatava não ser autenticamente britânico nem autenticamente paquistanês. Essa sensação de marginalidade também acometia os libaneses no Kuwait e os egípcios no Brooklyn. (...) O islamismo proporcionava o elemento da comunidade. Era mais do que uma fé – era uma identidade”. [Idem, pp.355]
Por fim, Wright faz um grande favor ao derrubar alguns mitos perigosos. O mais importante é sobre o islã – considerado no senso comum ocidental uma religião sangrenta. O autor explica que o suicídio, por exemplo, tão bem exercitado pelos homens-bomba, é condenado pelo próprio Maomé.
“A questão do suicídio era ainda mais problemática. Não há respaldo teológico para uma ação desse tipo no islã; ela é expressamente proibida. ‘Não cometereis suicídio’, afirma o Alcorão. A Hadith, que inclui o conjunto de ditos do profeta, está repleta de passagens em que Maomé condena a ação. A punição específica do suicídio é arder no inferno e repetir para sempre o ato de morrer através do mesmo instrumento do suicídio.” [Idem, pp.145]
Foi somente por meio de uma ginástica teológica que Bin Laden e seu colaborador mais próximo, Zawahiri, conseguiram convenceram alguns jovens de que o suicídio era um ato de mártires da fé – passando até mesmo por cima das palavras do profeta. Vale lembrar que muitos desses “recrutas” nunca foram profundos conhecedores do Alcorão.
Por fim, mas não menos importante, Wright é impiedoso ao mostrar como uma luta de poderes entre a CIA e o FBI fez com que a tragédia do 11/09 não pudesse ser evitada. As duas agências estiveram a um passo de prender os terroristas, mas por competirem cegamente entre si, nenhuma das duas conseguiu deter a Al-Qaeda.
Em tempo: Lawrence Wright é colunista da New Yorker e ganhou o prêmio Pulitzer pela obra.
Escrito por Liliana Negrello às 09h55
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Desceu mal...
... teve gente que não engoliu a arrogância da Time.
Escrito por Liliana Negrello às 09h18
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Quero +mais!
O melhor caderno da Folha de S. Paulo (+mais!), trouxe neste fim de semana uma entrevista com Umberto Eco, originalmente publicada no diário El País. Vale pelas opiniões do escritor e pelo texto introdutório de Juan Cruz.
Vai um aperitivo:
“Alguém que é feliz a vida toda é um cretino. Por isso, antes de ser feliz, prefiro ser inquieto.”
“Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado – e não digo nem sequer da memória histórica.
A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal. Se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal.
Se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.”
“A verdadeira felicidade é a inquietude. É sair à caça, não matar o pássaro.”
“Uma vez eu estava num táxi em Nova York, e o chofer, que era paquistanês ou indiano, me perguntou de onde eu era. Respondi que era da Itália, e ele quis saber onde ficava esse país. Eu me dei conta de que ele tinha idéias muito vagas, como se eu estivesse falando de Suriname a um italiano, e continuou a perguntar: "Que idioma o sr. fala?" "O italiano", eu disse, e ele me perguntou: "E qual é seu inimigo?". Perguntei o que queria dizer, e ele me respondeu que cada país tem um inimigo contra o qual luta há séculos. Respondi que não tínhamos. E ele me olhou com cara feia, porque um povo sem inimigo é pouco viril.”
A entrevista pode ser lida no link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1105200804.htm
Escrito por Liliana Negrello às 22h03
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