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Ateísmo 
In The Guardian, ‘The Greatest Show on Earth’, by Neal Fox
Escrito por Liliana Negrello às 08h44
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1000 palavras O “Book Bench” da revista The New Yorker, convida os leitores a enviarem uma foto ligada ao mundo das letras que valha por 1000 palavras (http://www.newyorker.com/online/blogs/books/1000-words/). A mais impressionante para mim, menos pelo valor artístico e mais pelo simbólico, é:
 Escultura construída em 2006 para comemorar os grandes poetas e escritores alemães. A obra está localizada em Bebelplatz, praça de Berlim onde foram queimados pelo regime nazista mais de 20 mil livros em um único dia.
Escrito por Liliana Negrello às 10h45
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Antológica A gripe suína atingiu Caras, no estilo Caras, claro! 
“André Marques, curado da gripe suína, festeja no Castelo de Caras”
Escrito por Liliana Negrello às 17h08
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Gato por lebre

De acordo com o Comunique-se, o Diário do Sul da Bahia foi o responsável pelo engano cômico dos xarás. Um leve deslize que colocou a foto do ator Daniel Dantas no lugar da foto do banqueiro Daniel Dantas. O editor, sem jeito, colocou a culpa no diagramador, que colocou a culpa na internet. Afinal, foi tudo uma obra maligna do Google.
Na quinta-feira (10/07), o veículo publicou uma nota de esclarecimento: “Aproveitamos a oportunidade para pedir desculpas ao Daniel Dantas da Globo, um artista de honestidade incontestável e que muito tem contribuído, com seu talento, para o sucesso das telenovelas brasileiras”.
Diante desse escorregão jornalístico, os bem-humorados colegas publicitários reagiram no anúncio semanal da revista Veja:
“Não se confunda:
Esse Daniel Dantas não é o da novela da tv.
É o da novela do mensalão.”
Escrito por Liliana Negrello às 09h25
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Três letras: MKT
Eu sei, o blog andou parado, em férias prolongadas. E, pior, esse texto não é um retorno triunfal, pelo menos ainda não. Resolvi pintar por aqui só para fechar um assunto que deixei em aberto lá no dia 14/05. No texto, que batizei de “Top of the tops”, eu falava dos seis livros finalistas ao Melhor do Booker. Pois bem, como apostou na ocasião o jornal inglês The Guardian, deu Salman Rushdie na cabeça com o livro Filhos da Meia Noite. Cerca de 8 mil pessoas do mundo todo participaram da votação on-line, e Rushdie recebeu 36% dos votos.
E eu fiquei pensando.... pensando....
Li há pouco tempo O Mago, biografia do Paulo Coelho escrita magistralmente pelo Fernando Morais. Calma, eu já volto ao Booker. No livro, me deparei com um cara que é constantemente acusado pela crítica literária de ser uma farsa e que nunca recebeu os louros por sua verdadeira vocação: o marketing. Isso mesmo. Paulo Coelho pode ser um bom contador de histórias e ter um talento para o esoterismo, mas se tornou um dos escritores mais vendidos do mundo usando as três letrinhas (MKT) com maestria. E, olha, maestria mesmo.
Aí eu volto ao Salman Rushdie. Veja, não estou colocando em cheque a competência literária do homem. Nada disso. Só acho que ele também sabe mexer com as letrinhas mágicas com uma certa facilidade. O NYT, um tempo atrás, atestou, se referindo a Rushdie:
“Nos últimos anos a celebridade caricaturada às vezes ameaçou eclipsar o escritor”
Muita gente que conhece o nome de Salman Rushdie nunca leu um livro dele. A fatwa (decreto religioso de condenação à morte) lançada pelo aiatolá Khomeini contra o escritor, rendeu anos difíceis, mas também uma projeção mundial inegável. Tenho certeza que exemplares dos Versos Satânicos abundam em lares de gente que gosta de enfeitar a estante.
Mas vamos aos fatos da vida de um cara que sabe fazer seu próprio marketing:
1. Ele deixou sua terceira esposa e um filho por Padma Lakshmi, uma modelo nascida na Índia, 23 anos mais jovem que ele, que atualmente apresenta o reality show "Top Chef".
2. Rushdie parodiou a si próprio no filme de 2001, "O Diário de Bridget Jones", e recentemente apareceu como um ginecologista em "Then She Found Me".
3. Preside em Nova York o festival literário PEN.
4. Em junho passado recebeu da rainha Elizabeth o título de cavaleiro.
5. Participou do primeiro clip da mega estrela de Hollywood Scarlett Johannson, cochichando alguma coisa no ouvido da beldade.
Quer dizer, o que aconteceu com aquela imagem romântica dos escritores que amavam a solidão, a arte pela arte, que escreviam porque de outra forma não poderiam viver? Morreu. A literatura entrou afinal (e infelizmente) para o rol do resto das coisas do mundo e está, mais do que nunca, subordinada ao interesses econômicos. Portanto, quem tiver pretensões literárias que incluam tiragem razoáveis, é melhor parar de criticar o Paulo Coelho e aprender com ele!
Escrito por Liliana Negrello às 09h53
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Eu bebo sim....

De acordo com o blog do Sérgio Dávila, a foto foi tirada durante um vôo que saiu de Rapid City, onde Hillary fez campanha na semana passada. O whisky, quem diria, teria sido oferecido por um repórter. Santa ingenuidade, Sra. Clinton...
Em tempo: Olhe a expressão daquele indivíduo que está atrás dela na foto e atente para o número de gravadores no encosto da poltrona!
Escrito por Liliana Negrello às 10h20
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Mulheres e Homens

In Time (edição 2 a 8 de maio) - Garota passa em frente ao Museu da 2° Guerra Mundial de Kiev.
Escrito por Liliana Negrello às 10h51
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Remarkable
Pouca gente sabe que a Flip – Festa Literária de Parati – foi inspirada em um festival que acontece todos os anos em Hay-on-Wye, cidade pequeníssima com enorme quantidade de livrarias por habitante, que fica na divisa entre a Inglaterra e o país de Gales. A diferença básica entre os dois eventos é que o festival de Hay já está mais maduro, são 21 primaveras.
O Hay Festival 2008 começou há poucos dias e vai até 1° de junho. Conhecido por ser o ponto de encontro de grandes autores, a aposta dos organizadores dessa vez foi trazer escritores menos conhecidos. “(…)We’d like to propose 21 writers appearing at Hay who may not be so familiar, but who we think are remarkable. Some are first time writers, some are huge stars in other languages”.
O festival não cobre apenas literatura – embora ela seja o foco principal. Para acompanhar o que rola em Hay, há três caminhos bacanas (infelizmente, só em inglês):
1. Arquivo do festival: http://www.hayfestival.com/archive/ (o único inconveniente é que os downloads são pagos, e os arquivos deste ano ainda não estão disponíveis. Mas há arquivos de participações anteriores).
2. Por meio da cobertura que a BBC 4 está fazendo do evento (este é aberto, “de grátis”): http://www.bbc.co.uk/radio4/arts/hay_2008.shtml
3. Por meio da cobertura no The Guardian (patrocinador do evento): http://www.guardian.co.uk/culture
Hay começou sua história com mil visitantes e nessa edição já recebeu 250 mil – o que o coloca certamente entre os maiores do mundo. Sobre os freqüentadores do evento, os organizadores opinam: “eles têm muita leitura e são bem espertos”. Oba, tomei isso como um elogio pessoal, já que eu e o Chris (numa aventura singular para nós) estivemos por lá em 2003.
Escrito por Liliana Negrello às 12h13
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Paradoxo
Tomando como gancho a Parada Gay de São Paulo, que aconteceu neste final de semana, recomendo duas leituras simples e curtas, que falam da questão dos gêneros. Uma pequena matéria assinada por Moacyr Scliar sobre a Literatura Gay na revista Mente e Cérebro (file://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/saindo_do_armario.html) e um texto sobre homossexualidade na África no blog do Fábio Zanini (http://penaafrica.folha.blog.uol.com.br/index.html).
Scliar fala de como a literatura explicitamente gay é uma coisa relativamente recente – embora a lista de grandes autores homossexuais seja imensa e antiga. Ele fala também da transposição de uma realidade do “amor que não ousa dizer seu nome” para uma realidade mais aberta e permissiva.
Mas, se por um lado temos a literatura gay como forma de expressão aparecendo cada vez com mais força em alguns países, por outro, temos na África o relato do Fábio Zanini de como as liberdades individuais (inclusive a sexual) ainda estão sob vigilância. Segue um trecho:
“Em muitos países, homossexualismo é crime. Na semana passada, o presidente da Gambia, no oeste africano, Yahya Jammeh, deu 24 horas para os gays deixarem seu país. Caso contrário, teriam a cabeça cortada. (...) Cada vez me convenço mais de que na África faltam acontecer duas revoluções essenciais. A primeira é a revolução capitalista. Praticamente todos esses países saíram de séculos do colonialismo mais perverso e caíram direto em economias socialistas utópicas, matando qualquer espírito empreendedor. E a segunda é a revolução sexual, que traz na sua esteira a emancipação feminina (a condição da mulher na sociedade africana em geral é subalterna, para dizer o mínimo), o planejamento familiar, a discussão sobre doenças sexualmente transmissíveis e a tolerância a outras orientações sexuais.” [Pé na África - http://penaafrica.folha.blog.uol.com.br/index.html]
Escrito por Liliana Negrello às 14h49
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Realidade Virtual

In The New York Times, 26/05/2008
Escrito por Liliana Negrello às 09h35
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Contraponto
Depois de falar do gigante Jon Lee Anderson e da “arte de sujar os sapatos”, meu texto hoje é sobre o que acontece com a notícia num ambiente de jornalismo sem apuração e sem checagem.
A pressa em dar a informação por primeiro pode levar a uma bela “barriga” (para quem não está familiarizado com o jargão jornalístico: um erro feio). Já dizia o fantasma de Joe Strombel no filme Scoop, do Woody Allen (“You have to get it first, but you have to get it right”).
Bem, aos fatos. Alguns dos maiores sites de notícias do país, de acordo com o Comunique-se, repercutiram uma notícia dada pela Globonews sem apurar as informações. Não bastasse o fato de terem dado a notícia errada, estes veículos deixaram patente que “chupam” as informações da TV. Ah, que pena!
Veja trechos da matéria do Comunique-se:
“TV dá barriga e sites repercutem sem checar |
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O incêndio que atingiu na tarde da terça-feira (26/05) um prédio localizado em Moema, na zona sul de São Paulo, foi manchete, por alguns minutos, dos principais sites de notícia do País. O problema é que, na pressa para informar seus leitores, alguns veículos online se basearam em informação da Globonews de que um avião havia se chocado com o prédio e não tiveram o cuidado de checar.
“Avião atinge prédio em São Paulo” era uma das manchetes do Globo Online. Ao perceber o erro, minutos depois, o título mudou para "Incêndio atinge prédio em São Paulo". O UOL já foi mais categórico: “Avião da Pantanal cai na zona sul de São Paulo”.
A ombudsman do Portal, Tereza Rangel, não perdeu tempo. Lamentou que mal estreou a nova central de jornalismo e já caiu na tentação de copiar informação da TV.
“A ‘informação’ estava errada. Quando percebeu o erro, o UOL mudou o texto (sem alterar o horário), tirou o assunto da manchete e simplesmente adotou a fórmula "a informação inicial era de que um avião da Pantanal teria se chocado contra um prédio residencial, mas ela foi desmentida minutos depois pela Infraero, pelos Bombeiros e pela própria companhia". A ressalva não pode servir de desculpa para que não seja feita uma errata, até porque o título do texto afirmava, categoricamente, que o avião caíra. Se o UOL levou a ‘notícia’ à sua manchete é porque precipitou-se e, sem apuração própria, comprou a versão da TV, disseminando entre os internautas que houvera um acidente inexistente. A prática de cozinhar e assumir informações (certas ou erradas) da TV e rádio é comum em portais da Internet, mas não deveria ser adotada pelo UOL”.
Mario Vitor Santos, ombudsman do iG, também não deixou passar o erro. "O iG acaba de anunciar erradamente a queda de um avião em bairro residencial de São Paulo. A notícia ('Avião cai em bairro residencial de São Paulo') não se confirmou. (...) Minutos depois da notícia errada do desastre, mais grave ainda numa cidade já traumatizada por acidentes desse tipo nas imediações do aeroporto de Congonhas, a notícia foi retirada do ar. (...) O iG precipitou-se e errou. Deve ter confiado em quem não deveria. Atribuiu o erro à Infraero. Certamente não verificou a informação antes de levá-la ao ar. (...)".
A Central Globo de Comunicação informou em comunicado: “A respeito do incêndio ocorrido hoje à tarde em São Paulo, a Globo News, como um canal de noticias 24 horas, pôs no ar imagens do fogo assim que as captou. Como é normal em canais de notícias, apurou as informações simultaneamente à transmissão das imagens. A primeira informação sobre a causa do incêndio recebida pela Globo News foi a de que um avião teria se chocado com um prédio na região do Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. Naquele momento bombeiros e Infraero ainda não tinham informação sobre o ocorrido. As equipes da própria Globo News constataram que não havia ocorrido queda de avião e desde então esclareceu que se tratava de um incêndio em um prédio comercial. Poucos minutos depois o Corpo de Bombeiros confirmou tratar-se de um incêndio em uma loja de colchões”. |
Escrito por Liliana Negrello às 09h33
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Sujando os sapatos 2
O fato de ter estado no Iraque antes da guerra, deu a Jon Lee Anderson a oportunidade de conhecer pessoas chegadas ao ditador iraquiano. Uma delas, o médico pessoal de Saddam, Ali Bashir, deu a Lee algumas pistas do homem por trás da farda e do bigode preto:
“– Que você pensava realmente de Saddam? (...)
– Para ser franco, acho que ele foi vítima de si mesmo e das pessoas que o cercavam. Ele é igual a qualquer outro ser humano, Tem algumas coisas boas e outras más. Penso que depende das circunstâncias do ambiente que fazem essas características se manifestarem mais de um jeito ou de outro. (...) Ele chegou ao poder ainda jovem... com apenas trinta e poucos anos. Era jovem demais para ter o poder absoluto de um país rico como o Iraque”. [A Queda de Bagdá, Jon Lee Anderson, ed. Objetiva, pg.291, tradução Alda Porto]
O livro também diferencia as percepções ocidentais e locais quanto à guerra. Evidentemente, a TV teve grande importância na sensação de vitória que varreu os EUA quando a estátua de Saddam caiu. Nem de perto a mesma sensação que acometeu os civis no Iraque.
“Não houve um único momento definido de catarse nacional que significasse uma ruptura com o passado. A derrubada da estátua de Saddam (...) simbolizara muita coisa para as pessoas no exterior, e talvez sobretudo para os americanos que testemunharam o momento nas telas de televisão, e que acreditaram que ele assinalava o fim da guerra no Iraque. (...) enquanto a maioria dos iraquianos, (...) eram obrigados a assistir, como espectadores passivos, ao saque e ao vandalismo em massa de sua capital.” [Idem, pg.307]
É de arrepiar as descrições do jornalista sobre a destruição de Bagdá logo após a entrada dos americanos, quando muitos iraquianos invadiram e pilharam palácios e museus da cidade.
Enfim, para saber mais, só topando saborear o livro!
Em tempo: Jon Lee Anderson é colaborador da revista The New Yorker.
(Quem tiver interesse pode acessar uma entrevista de Jon Lee no You Tube http://www.youtube.com/watch?v=jNRyW_4YEoA)
Escrito por Liliana Negrello às 18h09
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Sujando os sapatos
Em nossa época da infotainment, ler um livro como “A Queda de Bagdá” é reconfortante. Jon Lee Anderson, o autor, é um jornalista da velha escola, corajoso e brilhante, que levou ao pé da letra o que o também brilhante Humberto Werneck um dia chamou de “a arte de sujar os sapatos”.
Lee Anderson esteve no Iraque dois anos antes da ocupação americana. Conheceu o dia-a-dia do país na "era Saddam" e fez bons amigos iraquianos – que se tornaram fonte de informação e acolhida preciosas durante a Guerra. Em “A Queda de Bagdá”, o jornalista cobre o período de antes, durante e depois da derrubada da cidade pelas forças aliadas, num relato emocionante que foge com graça e elegância de qualquer explicação fácil ou de parcialidade mal-disfarçada.
Entre muitas coisas relevantes, a obra desvenda como Saddam controlava a mídia local e até a estrangeira (por meio de seu Ministério da Informação), confundindo os jornalistas e conclamando o povo à guerra. Uma das táticas era lembrar a falida tentativa de invasão britânica ao Iraque durante a Primeira Guerra Mundial – quando os ingleses tentaram expulsar os turcos otomanos do país.
Aliás, saber um pouco sobre as múltiplas invasões sofridas pelos iraquianos ao longo de sua história é essencial para entender a dificuldade dos EUA de pôr ordem no território. Nas palavras de um dos moradores locais entrevistados por Jon Lee:
“ – Nós aprendemos muitas lições sobre como nos defender de qualquer tipo de ocupação. Os americanos e britânicos não podem ocupar o Iraque. Ninguém pode. (...)”. [A Queda de Bagdá, Jon Lee Anderson, ed. Objetiva, pg.112, tradução Alda Porto]
Também é muito interessante o relato do jornalista sobre como os poucos colegas que ficaram no país durante o conflito tiveram que enfrentar os constantes perigos que vinham de todos os lados: partidários de Saddam, civis iraquianos e das próprias tropas aliadas. Muitos jornalistas sofreram seqüestros, violências e expulsões. Nesse último time, estava o documentarista independente Patrick Sullivan. Foi dele o bilhete que Jon Lee recebeu em plena ocupação americana:
“Jon: estou fora. (...) meu patrocinador no Ministério das Relações Exteriores foi obrigado a tomar meu visto. (...) Meus garotos, Ali e o irmão Jaffat [guias locais], foram mesmo destemidos, mas morriam de medo dos ianques para irem até a fronteira, por isso me largaram na estrada, e percorri a pé os últimos 5 quilômetros quase me cagando, passei por dois soldados iraquianos meio desconfiados, um par de carimbadores de papelada, de modos gentis, e depois o último quilômetro e meio da zona desmilitarizada até a Jordânia no velho expresso P2, chorando o tempo todo”. [Idem, pg.169]
Não bastassem os perigos que uma zona de guerra normalmente apresenta, havia ainda a chegada dos jihads, vindos de outros países árabes, prontos para se explodir em meio a militares e civis em nome de sua guerra santa.
E no olho de toda essa balbúrdia, havia também a inexperiência americana em relação aos costumes iraquianos. Muitos deslizes dos ianques (como revistar mulheres, por exemplo) aumentaram consideravelmente a ira dos civis contra os invasores.
(continua)
Escrito por Liliana Negrello às 22h02
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Folia dos milhões
No Brasil, país do real, país do futuro, país em franco desenvolvimento, já tem muita gente chegando ao seu primeiro milhão. Assistindo a isso, a classe média – ávida, iludida, voraz – compra as revistas de negócios, investe na bolsa, guarda os tostões e aguarda, desesperadamente, sua vez de ser milionária.
Como todo mundo sabe, é preciso tomar cuidado com o que se deseja... No Zimbábue, por exemplo, todo mundo já tem seu milhão. E a tendência cada vez mais forte é de que, em breve, muitas famílias tenham à disposição seu primeiro bilhão.
“Vem aí a nota de 1 bilhão de dólares
KIGALI (RUANDA) – Leio que o governo do Zimbábue acaba de lançar a nota de 500 milhões de dólares (daquele país). Simplesmente inacreditável, mas parece que está havendo a hiperinflação da hiperinflação, ou seja, as coisas estão explodindo de preço a um ritmo cada vez mais explosivo. Deu para entender o que quero dizer?
Vejam só: alguns de vocês devem se lembrar de um post meu lá atrás, quando cheguei ao Zimbábue, em que eu relatava ter recebido meu primeiro bilhão de dólares. Isso foi há meros dois meses, quando isso valia US$ 40, e a nota mais alta era de 10 milhões de dólares zimbabuanos. Ela tinha validade até 30 de junho deste ano, mas parece que as autoridades monetárias foram otimistas demais. Virou pó antes.
Quando cheguei a Harare, em 23 de março, US$ 1 comprava 24 milhões de dólares do Zimbábue. Quando saí, 18 dias depois, a taxa já havia subido para US$ 1 para 40 milhões. Agora, pelo que andei lendo, está em US$ 1 para 250 milhões. O valor da moeda local ficou reduzido a um décimo em dois meses.
Aguardamos ansiosamente pelo dia histórico em que a nota de 1 bilhão de dólares zimbabuanos será lançada. Pelas minhas contas, será até o final do mês...”
A matéria acima é do indispensável blog do Fábio Zanini. http://penaafrica.folha.blog.uol.com.br/index.html
Escrito por Liliana Negrello às 09h50
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Italian Stallion
Amanhã se encerra no Telecine a série Rocky Balboa. Cada dia dessa semana foi dedicado a um dos capítulos do lutador. Confesso, meio sem jeito, que assisti a todos de novo. Tudo bem, admito que os filmes não são 100% – oscilam muito na tabela de qualidade – mas é que o diabo do personagem tem carisma!
O 1, 2 e 3 são os mais bacanas. Gosto do Apollo e do treinador velhinho (da Adrian e do Paulie também - mas eles aparecem nos outros). O 4 é meio chato, mas “passa” se visto pela ótica da Guerra Fria - e ele tem a favor a participação do James Brown no ring cantando Living in America. O 5 é o pior. E o 6, bem, digamos que admiro Stallone ter encarado aparecer nas telas tão acabadão e com as sobrancelhas pintadas! E a história... é bacana, vai. Dá pra encarar.
Não tenho explicação racional ou uma desculpa razoável para ter perdido quase duas horas por dia na última semana contemplando o Rocky. Não posso nem dizer que gosto de boxe (muito menos da carnificina que acontece nos rings em todos os filmes da série)... Talvez seja pura nostalgia. Uma vontade de que os heróis dos filmes de hoje fossem menos perfeitinhos e geniais. Talvez seja a trilha! Talvez não seja nada disso. O fato é que assisti tudo de novo e, olha, mesmo sem entender por que fiz isso, não posso dizer que me arrependi!
Escrito por Liliana Negrello às 21h38
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